Cantare Estórias em Sala de Aula

Cantare Estórias em sala de aula

Séries trabalhadas: fundamental 1
Observação. Cada seguimento educacional deve ter uma atividade adequada a ela.
Atividade: Narração, audição, dramatização e interpretação de estórias.
Objetivo: Incentivo à leitura.
Texto sugerido para dinâmica: Nos Tempos em que Sol Morava na Terra.
Fontes: para esta e outras estórias da obra:
ZAMUNER, José Alaercio. Cantare Estórias. São Paulo, Edições Inteligentes, 2008.

–––––––, https://alaerciozamuner.wordpress.com/(Este texto está locado em Fábulas de Cantare.
Advertência:
Seguindo a proposta pedagógica destas páginas virtuais, publicamos algumas experiências realizadas em sala de aula. Para esta dinâmica, a sugestão é trabalhar com o conto Nos Tempos em que Sol Morava na Terra. Uma estória adaptada da tradição oral africana que traz características do conto maravilhoso. Ver sobre o assunto em referências bibliográficas.
Essas experiências têm como princípio, em primeiro plano, a narrativa oral, como uma contação de estórias, depois seguem algumas atividades com o objetivo de estabelecer um diálogo, de maneira informal, explorando o enredo do conto e suas as relações entre disciplinas nele presentes. A proposta é trabalhar com um texto literário de forma lúdica e interativa, envolvendo alunos no enredo da estória. Lembrando que esta experiência deve ser lúdica, interativa e nunca teórica e burocrática. Mas para as séries com mais experiência de leitura, vale buscar interpretações maiores, usando os recursos da teoria literária, descritos abaixo..
Motivação:
Ciente do aspecto do conto maravilhoso, o professor pode iniciar esta dinâmica conversando com os alunos sobre esse tipo de narrativa, presente nos livros didáticos, portanto, no dia-a-dia da escola, a saber: a narrativa do conto de fadas, do mundo do Era uma vez… muito comum nas estórias das comunidades iletradas, primitivas, dos causos sertanejos, denominada também de conto da carochinha. É uma estória que coloca o ouvinte distante do seu mundo real, com leis diferentes para os fenômenos da natureza, como no tempo em que os animais e as coisas falavam e tinham sentimentos humanos. Por este motivo essa estória pertence ao mundo do mito, da formação das coisas, do universo. Este deve ser um bate papo interativo, conduzido pelo professor, mas buscando e mediando as respostas dos alunos.
Dinâmica:
Esta prática tem como objetivo dar a um texto escrito o tom de uma narrativa oral, caso seja leitura, preservar e incentivar os recursos da fala, presentes no texto, com leitura dramática, interpretativa. É uma dinâmica de contação de estórias, portanto, ouvir a voz da estória, do narrador é importantíssimo.
Possível dinâmica para o conto Nos Tempos em que Sol Morava na Terra.
Narrador: Professor.
1) Preparar os alunos para serem os personagens: Água, Sol e família.
2) Distribuir os papéis conforme as falas:
Texto. As falas:
Água: “Posso entrar?”
Sol: “Pode!”
Águas: “xxóó: agradecida…”
3) Ao final da narrativa.
Texto:
“Foi nesta vez que Sol se viu num mundo de só espaço solto:”
Ação dos alunos:
Sol (um aluno) no centro do universo (sala). (Só e sem família).
Texto:
“Sozinho, Sol começou a chamá-los: Selene!… Júpiter!…”
Sol (aluno) puxa os planetas (outros alunos) para perto de si. Forma um possível sistema solar. (Forma sua família)
4) Por fim, fazem movimentos sugeridos pelo texto.
Texto:
“Vai senão quando Sol, inteligente e gerador de vivas ideias, do seu centro, com o indicador em movimento rotativo, começou a girar…”
Neste ponto os alunos montam o movimento de translação dos planetas. (refere-se, também, à inter-relação social entre os membros de uma família).

Interdisciplinaridade:
Neste momento o professor poderá fazer um diálogo com os alunos sobre o texto. Levantar, num diálogo com os alunos, algumas questões que marcam a relação entre as disciplinas. (Aqui deve prevalecer a maturidade de cada sala. As sugestões apontadas são amplas, que devem ser adequadas a cada série.)

As disciplinas e suas implicações. Alguns apontamentos.

1) Língua Portuguesa: padrão culto e variantes populares.
Elementos linguísticos expressivos da língua oral.
Onomatopeia:
som de água: “xxóóó!…”.
som de fogo queimando objetos: “xxxiiii!,
Recursos da lírica na narrativa:
“no que o telhado foi alagado”: rima interna em ado.
2) Questões Literárias. Gênero narrativo, contos de fada, conto fabuloso: “Naquele tempo de experimento, tudo começo, Sol e família moravam na terra..”.
Figura de linguagem: prosopopéia, falas do Sol: “E Sol, abrindo seu portal, responde radiante. – Pode!…”
Alegoria: sistema solar representado organização familiar: “E se foram, pai Sol, mãe Lua ( Selene) e filhos todos, agarradinhos aos dois, como sempre existiam.”
Cantigas populares: “curimbatá, lambari mandou dizer que a piaba `ta doente com saudade de você”.
Provérbios: “…jacaré – nadando de costas porque tinha também piranha”. Referência à máxima: em lagoa que tem piranha, jacaré nada de costas.
Mitos e lendas: Sereias: antiguidade grega, Iara, cultura tupi.
3) Questões sociais, interculturais. Narrativa oral de origem africana. Narrativa popular da tradição oral, das comunidades iletradas, sertanejas, comuns em solo brasileiro.
Narrativa culta: O próprio texto editado.
Narrativa popular: narrativa usando recursos da fala, dos contos da tradição oral.
4) Ciência e Geografia. Formação do universo entre comunidades primitivas. Estudos sobre o sistema solar em nosso sistema educacional: “… girar, girar, rodando pião de impulsionar sua família numa ciranda translacionada de muito alegre elipse, rodopiando a sua volta, …”
5) Estudos sociais. Formação do sistema solar e do modelo familiar em nossa sociedade.
Transversalidade: Pluridade cultural, temas sociais, locais e meio ambiente.

Pesquisa de campo: diálogo entre escola e vida social.
Para fazer um diálogo entre escola, suas disciplinas e a vida comunitária dos alunos, a sugestão é uma pesquisa sobre o assunto desta dinâmica.
Possibilidades:
1) Trazer uma estória que ouviu de um parente ou vizinho que tenha o mesmo tipo de narrativa da estória trabalhada: fábula, conto maravilhoso.
Para esta tarefa, pede-se que colete:
Fonte: (de onde tirou a estória.)
Qual livro?
Relato oral. Quem contou, esse que contou, de quem ouviu? ( É importante saber o percurso da estória. Avó, tio, tia, amigo, amiga…)
Origem da estória. Brasil, mundo distante, castelos, matos, campos, roças, mundo presente, cidade…
Tempo. Qual é o tempo, quando aconteceu, é dos tempos fabulosos, das fadas carochas, tem relação com a vida moderna. É importante saber que há muitas estórias orais do tempo presente, correntes na boca dos alunos.
Resultados:
O autor desta página terá o um grande prazer em receber avaliações e sugestões.
Bom divertimento!

Referências Bibliográficas

CASCUDO, Luís da Câmara. Literatura Oral no Brasil. Belo Horizonte, Itatiaia, 1984
ELIADE, Mircea. Mito e Realidade. Trad. Pola Civelli. São Paulo, Perspectiva, 1994.
JOLLES, André. Formas Simples. Trad. Álvaro Cabral. São Paulo, Cultrix, 1976.
MARTINS, Nilce Sant`Anana. Introdução à estilística. São Paulo, Queiroz, 1997.

SILVA, Fernando Correia da. ( Seleção e prefácio) Maravilhas do Conto Africano. São Paulo, Cultrix, 1964.
TAVARES, Hénio. Teoria Literária. Belo Horizonte, Itatiaia, 1974.
TZVETAN Todorov. As Estruturas Narrativas. São Paulo, Perspectiva, 1979.
ZAMUNER, José Alaercio. Cantare Estórias. São Paulo, Edições Inteligentes, 2008.
___. “Tradição Oral e Literatura Erudita: a recuperação do Narrador” In: Ficções: Leitores e Leituras (org. Bosi, Viviana e outros). São Paulo, Ateliê, 2001.
___. Sertão Flamboyant. São Paulo, Lábaron, 1996. Editorial, 2001.
–––. https://alaerciozamuner.wordpress.com/

3 Respostas

  1. Olá, Alaercio Zamuner, como vai?
    Li sua aula, o texto sugerido, segui as instruções. Resultado: adoramos. Eu contei a estória a eles (já ouvi você contando estórias, é impressionante, viu!). Os alunos adoraram. Além das atividades sugeridas, abri um espaço para os alunos criarem outras estórias, ou recontar a estória em questão. Bom, Alaercio, parabéns pela atividade: bem que poderia deixá-la gravada aqui para o público ouvi-lo, pois, você contando, com suas inflexões, a narrativa muda de conversa.
    Obrigado e Abraços.

  2. Olá, Alaercio.
    Gostei muito das dicas.
    Gostaria de saber se poderia vir a minha escola para uma dinâmica como essa?
    Os alunos irão adorar.
    Aguardo.

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