Vozes Literárias em A Terceira Margem do Rio, de JGR

Ficções: em busca de vozes literárias

Programa: A Terceira Margem do Rio, de João Guimarães Rosa

Público alvo: professores e universitários

Caráter do evento: minicurso

Carga horária: 6 horas (dois ou três dias)

Objetivos:
Este programa literário tem como proposta a prática de leitura e debates literários envolvendo o conto “A Terceira Margem do Rio”, do autor moderno brasileiro, João Guimarães Rosa.

Atividades:
1) Breve estudo sobre a narrativa moderna de João Guimarães Rosa;
2) Análise dos recursos estilísticos da obra estudada;
3) Debates comparativos sobre a obra e os recursos da teoria literária;
4) Promover exercícios de leitura dramática envolvendo a obra em questão.

Justificativas
A construção de uma obra literária é feita por meio de várias armadilhas que o autor usa para conduzir o virtual leitor ao desfecho final de seu mundo inventado, o mundo da ficção. Tais armadilhas, ou pistas, estão espalhadas ao longo das obras de várias formas, aparecendo, dissimuladas, entre os recursos: linguísticos; líricos (ritmo e melodia); nos focos narrativos, criando assim uma voz interna, a voz do autor, sua marca, restando a nós, leitores, encontrar um meio de ouvir essa voz e desvendar as artimanhas do autor, pois, como diz Fernando Pessoa “O Poeta é um fingidor”. E o que é a literatura senão um grande fingimento? Começa pela palavra ficção, que na sua origem nada mais é que fingere, isto é, fingir, inventar, simular.
Seguindo tal raciocínio, a obra de Guimarães Rosa é construída de mínimas partículas essenciais, tais como: natureza, mitos, lendas, fábulas, religião, filosofia oriental, misticismo, homem sertanejo e língua: essa última se desdobra em ritmo e melodia, que vão imprimir, àquelas partículas essenciais, uma voz marcante, que nos remete às grandes narrativas da história literária universal. Dessa forma, na prosa de Guimarães Rosa, dissimulada em “causos sertanejos”, podemos ouvir tanto uma gesta medieval como um embate épico grego, um drama shakespeariano ou um flagrante metafísico e insólito ocorrido no sertão Minas Gerais.

Palestrante:
José Alaercio Zamuner. Mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada – USP, Professor Universitário.
Autor das obras: Cantare Estórias, 2ª ed. 2011, Sertão Flamboyant, 1996, entre outras.
Ver currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/7070676286783456
e Blog https://alaerciozamuner.wordpress.com

Contatos: Fones 74 13 68 88
E-mail: alaercio@uol.com.br

Referências Biográficas
Bibliografia básica:
BOSI, Alfredo. História Concisa da Lietratura Brasileira, São Paulo, Cultrix, 1978.
CORTÁZAR, Julio. Valise de Cronópio. Trad. Davi Arrigucci e João Alexandre Barbosa. São
Paulo, Perspectiva, 1993. (Ver capítulo: Alguns aspectos do conto)
GOTLIB, Nádia Batella. Teoria do Conto. São Paulo, Ática, 2003. (Série Princípio) (Ver capítulo: O Conto: um gênero)
KUNDERA, Milan. A arte do romance. São Paulo, Companhia das Letras, 2009. (Ver primeira parte: A Herança Depreciada de Cervantes)
ROSA, João Guimarães. Sagarana. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984. (Ver o conto: O Burrinho Pedrês)
___. Primeiras Estórias.Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1988. Ver o conto: A Terceira Margem do Rio)
TODOROV, Tzvetan. As Estruturas Narrativas. Trad. Leyla Perrone-Moisés. São Paulo,
Perspectiva, 1979. (Ver capítulo: A Narrativa Fantástica)
ZAMUNER, José Alaercio. “A Terceira Margem do Rio”. In: RevistaFAPA, ano VI, Nº 8, São Paulo, 2003.(Ver PDF anexo)
___. “Tradição Oral e Literatura Erudita: a recuperação do Narrador” In: Ficções: Leitores e Leituras (org. Bosi, Viviana e outros). São Paulo, Ateliê. (Ver PDF no blog https://alaerciozamuner.wordpress.com

Bibliografia complementar:
ANDRADE, Mário de. Danças Dramáticas do Brasil. São Paulo. Martins (1º Tomo), 1987.
ARISTÓTELES. Poética. São Paulo, Nova Cultural, 1996.
BENJAMIN, Walter. “O Narrador”. In: Textos Escolhidos. São Paulo, Abril, 1983.
BOSI, Alfredo. O Ser e o Tempo da Poesia. São Paulo, Cultrix, 1993.x
CASCUDO, Luís da Câmara. Contos Tradicionais do Brasil. Rio de Janeiro, Ediouro, 1998.
___. Literatura Oral no Brasil. Rio de Janeiro, José Olympio Ed., 1978.x
___. Dicionário do Folclore Brasileiro. Rio de Janeiro, Ediouro, s/d.
CANDIDO, Antonio. Formação da Literatura Brasileira. Rio de Janeiro, Ed. Itatiaia, 1993.
___. Lietratura e Sociedade. Comp. Ed. Nacional. São Paulo, 1980.
COUTINHO, Eduardo. (org.) Guimarães Rosa. Rios de Janeiro, Civilização Brasileira,
1991 (Coleção Fortuna Crítica)
HUIZINGA, Johan. Homo Ludens. Trad. João Paulo Monteiro. São Paulo, Perspectiva, 1999.
JOLLES, André. Formas Simples. Trad. Álvaro Cabral. São Paulo, Cultrix, 1976.
LUKÁCS, Georg. A Teoria do Romance. Trad. José M. M. de Macedo. São Paulo, Duas Cidades, 2000.
MARTINS, Nilce Sant’Anna. Introdução à Estilística. São Paulo, Queiroz, 1997.
PAZ, Octavio. El Arco Y La Lira. México, Fondo de Cultura Economica, 1956.
SPINA, Segismundo. Na Madrugada das Formas Poéticas. São Paulo, Ática, 1982.
TAVARES, Hênio. Teoria Literária. Belo Horizonte, Itatiaia, 1974.
TELES, Gilberto Mendonça. Vanguarda Européia e Modernismo Brasileiro. Vozes, 1999.
VICO, Giambatista. “Princípios de uma Ciência Nova: acerca da natureza comum das
nações.” In: Bruno / Vico. Trad. Antonio Lázaro de Almeida Prado. São Paulo, Nova, Cultural, 1988.(Col. Os Pensadores)
ZAMUNER, José Alaercio. Cantare Estórias. São Paulo, Edições Inteligentes, 2008. Obra adotada pelo Apoio ao Saber, FDE, Secretaria de Educação de São Paulo.
___. Sertão Flamboyant. São Paulo, Lábaron, 1996. Editorial, 2001.

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