Breve Currículo

José Alaercio Zamuner
Conferir atividades em: https://alaerciozamuner.wordpress.com/

Formação Acadêmica: Mestre – USP. Área: Teoria Literária e Literatura Comparada.
Entrada para CNPQ – Lattes: http://lattes.cnpq.br/7070676286783456

Experiências: Profissional e Cultural em São Paulo
Professor Universitário:
Teoria Literária e Literatura Comparada
Língua Inglesa (Letras e Instrumental)
Língua Portuguesa (Instrumental)
Literaturas em Língua Inglesa
Literaturas em Língua Portuguesa
Metodologia e Prática do Ensino

Atividade presente:
Professor, escritor, palestrante e oficinas para professores

Colunista: “Jornal Monte Sião”,
Revista SUPERHIPER: http://www.abras.com.br

Cursos e Atividades no Exterior – USA, 1990 e 1992
Curso: Methodology and Conversation for Teachers, 1990
Local: Wester Oregon State College, Monmouth, Oregon – USA
Atividade: Teacher at Bradenton Academy, 1992
Local: Yázigi International, Sarasota, Florida, USA

Palestras e oficinas:
Escola Estadual Provedor Theófilo Tavares Paes, Monte Sião, MG. 23/06/2012
Participantes: alunos, professores
Instituto de Educação Alexandra S/C Ltda – São Paulo, SP. 23/03/2012
Escola Estadual Luiz Martini, Mogi Guaçu, novembro 2011
Palestra sobre a obra Cantare Estórias, adotada pelo APOIO AO SABER.
Participantes: alunos, professores e Diretoria Regional de Ensino de Mogi Guaçu

MÉXICO, setembro 2011:
Centro de Lenguas Extranjeras Zacatenco – IPN (Instituto Politécnico Nacional) 19/09,
Faculdade de Estudos Superiores Acatlán (UNAM), 20/09/2011,
Centro Cultural Brasil-México da Embaixada do Brasil no México, local: Universidad Claustro de Sor Juana – Encontro com os professores de português no México, 21/09, 2011
Casa do Brasil/Grupo Figa no México, 23/09.

CASA DAS ROSAS ¬ Ficções no Folclore: Mitos e Lendas nas Obras de Autores Paulistas: 11, 18, 25/11. http://www.poiesis.org.br

SALÃO DO LIVRO – Guarulhos. Dupla Poesia, José Alaercio, Sérgio Vaz, mediador: Frederico Barbosa, 6 de maio, 2011. Link http://salaodolivro.guarulhos.sp.gov.br/?page_id=6

CEU PIMENTAS. Programa Abril Literário, Secretaria de Educação de Guarulhos: A importância do Contar estórias, 14 e 28/04/2011.

Casa Das Rosas. Curso: Ficções nas vozes de Natal – 2, 9, 16/12/09

SESC: Pinheiros, Pompéia. Programa: Flerte Literário: violas e causos, coordenação Passoca, 2006.
SESC Ibirapuera: contação de estórias, festas juninas, junho de 2004.

Gravação de estórias para capacitação à distância de professores e inclusão social – MEC
Consulte: BibVirt http://www.bibvirt.futuro.usp.br Biblioteca Virtual – USP, 2007

PARTICIPAÇÃO E COORDENAÇÃO DE PROJETOS CULTURAIS: Secretaria de Cultura de Guarulhos
A Palavra em Prisma: promoção de concurso de contos e poesia, 2002 a 2008

Fórum de debates: (Secretaria de Cultura de Guarulhos), 2002
Autor entrevistado. (Secretaria de Cultura de Guarulhos) Tema: Tradição oral e literatura culta, 2008

Docente Convidado

Seminário para professores da rede estadual (Paraná e São Paulo)
Secretaria da Educação – Paraná – Professor Palestrante, 2001
Universidade de São Paulo – FFLCH. Professor Palestrante –1999 e 2000. Palestra publicada pela Ateliê¸ 2001. (Tradição Oral e Literatura Acadêmica: a recuperação do narrador.

Publicações

1)Gêneros Literários e a formação do leitor, coautoria com Isabel de Andrade, Mercuryo Jovem, 2012 (Obra de referência inscrita no FNDE)
2)O Menino Que Se fez Pássaro (Infanto-juvenil) Plêiade, agosto 2011. (Obra inscrita no FNDE)
3)Cantare Estórias (Contos) 2ª edição, Ed. Plêiade, 2011. Obra adotada pelo FDE: Fundação para o Desenvolvimento da Educação – Secretaria de Educação – Governo do Estado de São Paulo (Apoio ao Saber).
4)Cantare Estórias. Ed. Inteligentes, dez. 2008, Obra publicada pelo FUNCULTURA: Secretaria de Cultura de Guarulhos

5)William Blake. Edição Bilíngüe. Disal, 2006. (Prefácio)

6)Tradição Oral e Literatura Acadêmica: a recuperação do narrador. Ateliê¸ 2001. (Capítulo)
7)Sertão Flamboyant, estórias – 1996
8)Jornal Monte Sião – Crônica mensal.

9)Crônica para revista de circulação mensal – SUPERHIPER.

Crônica dos Tempos. (Revista SUPERHIPER.), janeiro 2013: http://www.abras.com.br
Aulas do Sr. Libério. (Revista SUPERHIPER.), julho 2012: http://www.abras.com.br
Crônica de uma peixaria. (Revista SUPERHIPER.), maio 2012: http://www.abras.com.br
Zaira Tahan vai às compras. (Revista SUPERHIPER), out., 2011: http://www.abras.com.br
Crônica em um Mercado. (Revista SUPERHIPER.), abril, 2011: http://www.abras.com.br
Nosso Pai. (Revista SUPERHIPER.), outubro 2010: http://www.abras.com.br
Roças Cibernéticas. (Revista SUPERHIPER), junho 2010: http://www.abras.com.br
Cheiro de Mixirica. (Revista SUPERHIPER), julho 2009: http://www.abras.com.br

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Apresentação no Salão do Livro – Guarulhos, 2011

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O autor, José Alaercio Zamuner, esteve no Salão do Livros, Guarulhos, maio de 2011, debatendo poesia, na companhia do poeta de Sérgio Vaz e mediado pelo poeta Frederico Barbosa.

Autógrafos e Apresentações

Noite de autógrafos e performances da obra Cantare Estórias, Centro Universitário Paulistano, dezembro, 2009.

Crônica de um Reencontro

Com um carrinho, Ema contornava as gôndolas do mercado União quase que sem interesse, passava distraída pelos produtos, agora os corredores eram imensos de longos, e às vezes tinha de voltar lá pro início, porque se esquecera de pegar algo que precisava, tão aérea se encontrava, e por duas vezes teve de voltar. Olhava a lista. Novamente faltava uma lata de ervilha, pacote de macarrão… Nem sabia a serventia daquela compra, que nada lhe trazia prazer. Quando levou a mão, automaticamente, para apanhar aquele Talharim Frescarini, num flash, veio lembrança, que pretendia nem lembrar… Uma lágrima muito sutil rolou, porque hoje faz exatamente um mês que seu amor desapareceu, após um jantar tão farto de risos, massas, olhares, queijo um beijo em taças de um vinho tinto Pinot… No outro dia, ligou para reviver o jantar, mas o telefone chamou e chamou em altos brados desesperados, e nada, nada de sua voz respondendo ao menos um alô fático… Por onde havia se metido, em qual espaço de rua, de prédio desta cidade está desaparecido meu anjo de anos que me ama e tanto nos amamos?…

O som das rodas do carrinho indicando movimentos, única percepção do lugar onde estava, porque tudo rodopiava insípido, por completo… bolachas, latarias, frutas, bebidas: tudo exalando o mesmo cheiro… nada, não há sabores nos ares desta cidade inteira!…

Mas ao dobrar a próxima esquina veio um repente:

“Com licença, moça!…”

Aquele som penetrou em seus ouvidos, lá no fundo mesmo, e o mundo abriu num instante cheio de cores e cheiros. Só podia ser ele: seu anjo de anos que me ama e tanto nos amamos, ali em sua frente. Como!? E ela grita alegria:

Lenz!!!, sou eu, Ema! Meu Deus, sumiu, por onde esteve?!…

E Lenz, um tanto desnorteado, voltou a ela um olhar vago de dar dó…, como de um animal indefeso, carente, querendo reconhecer aquele rosto, vago em suas lembranças…

Perguntou:

Quem sou? Me mostre a saída, a rua, a direção da casa de meu anjo de anos que me ama e tanto nos amamos, mas que tudo sumiu de minhas lembranças. Veja aqui nesta foto nossa história trafegando as ruas de monte Sião.

E Ema, ao olhar os documentos de Lenz, completou sua imensa alegria: é mesmo seu anjo de anos que me ama e tanto nos amamos, inteiro, a sua frente, pedindo, pedindo uma nesguinha de reconhecimento…

Segurou firme em seu braço, percorreu todas as ruas em gôndolas de alegria buscando os mais nobres produtos, e duplicou aquelas compras, incluindo um Pinot Noir… porque ela vinha-ele vinho sedentos em taças de tudo recomeçar…

(Crônica assinada para a Revista SuperHiper)

Verbos da Pinha

Eu parti a palavra ao meio

do pé pinheiro:

de bola fruta pinhão pulou

uma-uma toldo

em mosaico colorindo

fragmentos ao léu

após a explosão do pinho…

guarda-chuvou no céu: uma-uma

desceu pandora plen’em mim

molhou minh’alma de sons

e cores qu’em olhos vibravam

mil colores centrefugam

ao chão. Cata que cata

pinhas d’ex-bola pinhão:

sons aqui ali gritando uma-uma:

– “Me pegue!…” – “Me pegue!…”

– “Rasgue-me o véu!…”

– “Sou de Vênus!…” – “Sou de Apolo!…”

– “Sou trovador…”

– “Sou de vapor!…”

E cada qual em demanda

de verso vaporoso levita

cata que cata o impossível

instante…. Elfos (elas) sons

invisíveis levitam à copa-tropos

uma-um’ em bela bola fruta pinhão

no pé do pinheiro…

E cada qual em verbo retoma uno-verso

suspenso sempre em cantos: juntos

cantam aos Pinhos de sempres-junhos.

(de O Camaleão)

Nosso Pai

O assobio de nosso pai chegando estabelece  um alvoroço entre nós. Muito justo, pois, junto com as compras do Mercado do Shoque, vem também um tanto de maria-mole, e mole de risos vamos trocando mordidas em um a outro pé-de-moleque e sopros e lambidas num pirulito que bate-bate esperança de apito finíssimo.

Pronto. A casa, que antes estava sonolenta, acorda com nosso pai contando outras delícias de estórias, que o seu Enzo voltou com a família toda pra Itália…, que lá na baixada do Adão, o Liseo, aquele homem lobisomem, apareceu pra mim: fedendo, peludo: mostrei esta cruz aqui, filho, e ele saiu uivando… Ah, quando passei na curva do Satiro, um vulto apareceu saltitando, pedindo todo o doce que trazia nas compras, era o malvado saci, mas como já sabia, só dei o que havia comprado pra ele…

Logo tudo entra no silêncio do sono, para uma outra existência perene de jornadas e jornadas com nosso pai atravessando campos, avenidas, lutando com enormes mamutes, gentes ruins, onças que rugem e rondam nossas casas noite toda.

Mas não há medo, não, porque o próximo dia sempre amanhece, e nosso pai segue tecendo manhãs de várias alegrias no construir brinquedos, ensinando cada parte de um fazer festas de São João cheias de bandeirolas, construir enormes cavalos de cana de milho, o Natal com muitos bichinhos protegendo e aquecendo o menino Jesus, e depois, a invenção do Judas mais feio e traiçoeiro de todos os anos, seguido de uma surra para nosso alívio e vingança: tudo em meio a muita gritaria e algazarra de olhos arregalados…

Ainda ouço nosso pai chegando a cada vez que faço meu caminho de casa, ainda ouço nosso pai chegando quando passo no mercado mais próximo, escolho aquele certo pacote de batata chip, a barra de chocolate mais crocante, para quem me espera, sem deixar de narrar as crônicas de todo o percurso, com os perigos passados no trânsito, as ameaças dos mesmos sacis exigindo os doces que formam o elo corrente entre tempos e vidas…

– A bença, nosso Pai!

Crônica publicada por SuperHiper

Roças Cibernéticas

Uma das cosias mais sedutoras da vida moderna está na constante virtualidade de termos roças cibernéticas na porta, ou dentro, de nossas casas: bastam clicks, minutos, e uma bandeja de caqui suculento aparece num xênon flash!…; e sem vespas esvoaçantes.

Indo para uns antigamentes, coisa de 20 anos, de vida no campo, o viver era complicado e deveras real. O sustento derivava só e somente de uma roça cabocla, tão caapora, que melhor seria ficar sem suprir o desejo. Por conta disso, crianças nasciam por lá e por esta época com todo tipo de mancha. Tudo se constituía em demanda Graal. No tempo de caqui, a fruta dava no caquizeiro… e se punha protegida; bem penduradinha lá na ponta dos galhos, finíssimos, que dobravam para  um abaixo abismo estonteante.  Assim, um cuidado enorme se estabelecia. Mas após escalar o caquizeiro, aproximar-se da fruta vermelhinha, no equilíbrio perigoso da gravidade newtoniana, outro problema surgia: uma esquadra aérea de vespas infernais com ferrões bélicos, doloridos, zumbia ataques esvoaçantes. As laranjas maduras: – é necessário postular aqui que, sempre, cada fruta só em seu tempo –, borradas com uma película de poeira daquelas estradas amarelas, e quando sempre, uma caixa de marimbondo no pé, dizendo ao passante: – “Laranja madura, na beira da estrada, tá bichada, Zé, ou tem marimbondo no pé!”. Sem falar nas mangas… que… numa outra vez, Sr. Arfeu Sarte baixou permissão expressa: subir naquele pé de mangueira que dava manga espada amarelinha; e pendurada lá na ponta do céu. Nem conto!… Bem quando ao pegar com estas mãos que a terra há de comer, uma enorme cobra: uns vinte metros, nem se viu direito, mas era, por certo, urutu, mboiossu, caninana…, não, jararaca!, ou ainda todas estas juntas, aparece sinuosa,  de língua bifurcada, roçando ar, se enroscada nos galhos, cabeça levantada ao bote… O povo de gente desceu lá como pode, no empurrão da força newtoniana, apavorado. Um caiu. Perna quebrou. Outro, se  esfolou todo. Ainda traz cicatrizes…

Bem!… O que vale é que o homem sempre anda pra frente, porque atrás virtualmente vem gente; empurrando… E hoje, estas metropolises de alamedas em arvoredos e bosques de prédios com elevadores provêem, bem pertinho, quadro a quadras, roças cibernéticas, com caquizeiros, laranjeiras, limeiras, tamareiras, macieiras, cafezais, milharais… É só ir contornando as gôndolas virtuais ou reais, seguindo os cheiros de sabores espalhados pelos mercados cibernéticos e colhendo o que mais lhe apraz, sem sofrer tanto a desagradável força newtoniana, nem vespas, marimbondos, mboiossus apavorantes e outra fobias!…

– Isso. Por hoje é só.  Estou aqui na Rua que sobe e desce onde o número sempre aparece, 2010. Crédito.

Crônica publicada pela revista SuperHuper

http://www.abras.com.br/superhiper/superhiper/publicacoes/