Crônica da Pedra Amarela

Crônica da Pedra Amarela

Na Avenida Monte Sião, quando passando pela Fazenda da Pedra Amarela, bem na curva do João Puttão, onde, um dia de tempos passados foi olaria do Dito Arve, há um mistério: O Mistério da Pedra Amarela.
Conta-se, e não só por duas ou três pessoas, que quem roda por esse lugar, no dobrar da meia-noite, qualquer um vê a figura de uma mulher de branco, com uma criança no colo pedindo carona; na mão de quem vai pra Águas, bem no portal da fazenda, ao pé da enorme Pedra Amarela. Nada de mais, não fosse o que se desenrola ao depois. Quando você passa direto, sem dar carona, imediatamente você ouve uma vozinha aflita vinda do banco detrás do seu carro: me Leve, me leve pro hospital salvar minha filha, me leve, me leve pro hospital salvar minha filha, seu moço!… Voz chorosa, insistente… Mas se o infeliz motorista pára o carro, tudo desaparece: voz e vulto e visão.
Muitos contam esse mistério. A origem foi que, tempos atrás, a esposa do Jacks Vaqueiro, retireiro daquela fazenda, mãe dedicada, viu sua filhinha ardendo em febre. Já tarde da noite, saiu com a criança nos braços pedindo, pedindo que a levassem ao hospital: nenhuma alma viva não teve a bondade de socorrê-las. Bateu a pé, estradão afora, sempre pedindo carona: me Leve, me leve pro hospital salvar minha filha. Ao chegar no hospital, a criança estava morta. A mãe ficou louca: retornou alucinada torando reto mundo de morros e grotas, com a criança falecida nos braços, e falando sem parar a mesma reza de pedido que se houve até hoje: me Leve, me leve pro hospital salvar minha filha, me leve, me leve pro hospital salvar minha filha, seu moço!… …Mal põe os pés na fazenda e cai, também falecida, ao pé daquela Pedra Amarela; com os olhos arregalados de fadiga…
O Elvis da Maria do Zé Franco passou por lá dia destes, vindo de um baile que teve lá na Grama Roxa, e despercebido desses acontecidos, três da madrugada, meio beudo, entrou nessa curva: a figura de uma mulher de branco, segurando uma criança no colo, com o braço esticado, pedindo, pedindo urgente carona pro hospital… Ah, recompôs a estória e acelerou o Fietinho… De repente… ouviu do banco detrás de seu carro: me Leve, me leve pro hospital salvar minha filhinha, me leve, me leve pro hospital salvar minha filhinha, seu moço!… Chorando de lágrimas suplicantes, cheiro de gente morta no carro, e a voz resplandecendo: me Leve, me leve pro hospital salvar minha filhinha, me leve, me leve pro hospital salvar minha filhinha, seu moço!… Que é assim mesmo: a alma daquela desafortunada mãe entra no carro do motorista passante e se desespera no pedir para salvar sua filhinha: me Leve, me leve pro hospital salvar minha filhinha, seu moço!:
– Socorro!… Socorro!… Nossa senhora!… emnomedopaiedofilhoesp…!
Foi o que o Elvis fez no pavor, e freou seco seu carro, em frente às lojas do Quim Mourão, e saiu desembestado e gritando:
– Socorro!… Socorro!… Nossa senhora!… emnomedopaiedofilhoesp…!
– Soooco!… Nunca mais quero passar pelos mistérios da Pedra Amarela! Não acredita, Barbino!? Passe por lá, então, por estas horas da madrugada!

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