Crônica Fabular no mercado NovaEra

Crônica fabular no mercado NovaEra

Entrou com sua mãe no mercado NovaEra. Era do interior paulista, Tuiuti. Ele e a mãe, gente humilde, visitando uma tia que morava no Tremembé. O encanto natural brilhava em seus olhos de mãe e menino, tão assim que a mãe tinha de puxá-lo com força pelos corredores da loja, mas ele escapava, escapava. A mãe também encantada com tanta profusão de produtos de: perfumaria, cama, mesa, banho e limpeza de pele, pintura de rosto, lábios, olhos vagando… O menino correndo os olhos nas enormes telas reais de Led, 3D, que por causa desta presente época, jogadores, estádios, gramados e jogos iam passando correndo e abrindo convites. Mas foi andando pra frente, contornando corredores… Chegou num lugar de um monte de livros, muitos espalhados nas mesinhas, pelo chão, olhos correndo encanto… Mas um, com suas páginas abertas bem em um estádio enorme, cobrindo duas páginas, de ponta a ponta, abre convite para ele entrar naquele gramado 3D: Vem, vem!… O Jogo vai começar!

Lá foi bem pro centro do campo. Era hora do jogo. Jogadores perfilados, segurando suas mãos, minutos pra iniciar a partida, Hino tocando: Brasil e Croácia. Povo gritando nomes de ídolos. Jogo iniciado… De repente deu um branco danado na seleção do Felipão, jogadores jogados às traças, baile levando do alemães, daí  a bola vem doida em sua direção. Técnico, perdidão, grita: – Aí, vai pra cima deles, dribles, vai pro gol!…

Ah! O menino saiu em zigue-zague, bola entre pernas de um: caneta!… Isso. Vai!… Tabelou com Daniel Alves, Fred, que passou pro Neymar, e Neymar, num balãozinho, lança de volta, que o menino matou no peito, dominou: bola descendo, veio o zagueiro Lahm, chapelou, veio outro pro baile, o Boateng, outro chapéu, balão subiu, desceu, goleiro saiu doido em seus pés, o Neuer, Mas, ele, ele o menino de Tuiuti escorou a bola bem no canto contrário ao goleiro, a bola foi morrer no fuuundo do gooool: goooolll!!!… O estádio em gritos, ele correndo para beira gramado, aplausos, jogadores todos vibrando. Técnico pedindo para voltarem pro jogo de nunca antes visto assim nesta vida de meu Deus!…

Quando uma voz diz: – De quem é esse menino, todo despenteado e ofegante!? E a mãe aparece desesperada e perguntando a ele onde havia se enfiado, que passou por ali mais de dez vezes, segurança toda do mercado na busca: – Onde estava, onde estava, filho de Deus? E essa camisa toda molhada! – Jogando bola com os jogadores da seleção, bem dentro deste livro aqui, ó!…

– Não sei direito. Só sei que tava olhando a foto, me puxaram para dentro do jogo, a bola veio pra mim, driblei dois e fiz o maior golaço.

– Fez, né! Sei. Vamos embora que o jogo vai começar logo!

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