O Natal é um Túnel de Palha

José Alaercio Zamuner

Quando era criança, nos tempos de vida sertaneja nas roças da Batinga, Monte Sião, me lembro bem que ao final de cada colheita de feijão, nós, crianças, fazíamos uma festa com a palha que restava do feijão após ser batido. Grãos prum lado e palha restante pro outro, depois, dessa palha, tão necessária quanto o alimento colhido, nosso pai fazia um Túnel de Palha para nossas brincadeiras. Aflitos, olhos arregalados, mal podíamos esperar o túnel ficar pronto, e pronto, nosso pai abria aquela portinha frágil e a gente entrava e o Túnel de Palha reluzia veloz suas luzes e levantava voo, indo até as nuvens, levando a gente bem dentro de nossas fantasias.

Hoje, aquela fantasia de criança roceira vem em minha mente toda vez que, ao final de cada ano, dezembro, entro nos supermercados, nos shopping centers ou passeio pela cidade e vejo aqueles enfeites nas ruas, nas árvores, nos corredores, estrelas, cometas e luzes de neon, tudo circulando e reluzindo no teto, crianças e gente grande brincando, correndo em movimentos frenéticos, olhos arregalados. E andando, me vejo meio voando naquele mesmo Túnel Palha que se lança ao ar, subindo nas nuvens decoradas de onde descem os anjos de nossas fantasias.

Com tudo isso, somando e subtraindo anos e progresso e Albert Einstein e nanotecnologia: noves fora!…, debaixo de tudo e sobre qualquer lona ou teto ou céu existe uma Senhora: a Dona Fantasia que vem sempre voando sem limites para todos os lugares, desce em todos os cantos dos homens da terra. Vem solta no vento, livremente, e distribui sonhos para qualquer um, na mesma intensidade, sem distinção de nada, nada! Até parece dizer: “tá tudo bem, tudo bem, tire qualquer coisa de mim, qualquer coisa, meu puro prazer é doar fantasia, sonhos.”

E é assim o Natal, tempo de receber a Senhora Fantasia, só ela é capaz de abrir suas imensas asas abraçando os mais diferentes lugares, do frágil Túnel de Palha ao mais luxuoso shopping, e transformar todos os seres humanos iguais nos sonhos, fazendo com que todos os lugares sejam simplesmente só um Túnel de Palha, bem ao sabor do Natal: uma grande fantasia, para se viajar livremente, ir às nuvens, visitar estrelas, encontrar familiares, amigos e dizer Feliz Fantasia: Feliz Natal!…, porque para ela, a Senhora Fantasia, o Natal é e sempre foi um Túnel de Palha. (JAZ)

 

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Crônica da Super Lua de Agosto

Crônica da SuperLua de Agosto

Foi neste agosto último o anúncio de que a SuperLua, após 18 anos viria novamente abraçar, abraçar mesmo, bem apertado, até por inteiro o Cristo Redentor e todos que lá estivessem. Então o povo estéril, muitos bem pra lá de tristes em suas emoções monetárias, saiu às ruas junto com os poetas, violeiros, trovadores, artistas gritando: “A lua vai abraçar o Cristo Redentor, as praias todas, vai trazer amizade e gentileza para as pessoas.” Ao ouvir isso, o Profeta Gentileza despertou-se de seu sono profundo e começou a caminhar pelas ruas dizendo poemas do profundo coração humano, poemas daqueles que despertam no homem Gentileza e Virtudes. Gentileza passou distribuindo a todos seus ensinamentos gravados em rosas, que dava às pessoas deste mundo de meu Deus, graças a Deus!…

Os supermercados ficaram abarrotados de pessoas comprando flores, taças e vinho, chocolate, arranjos de flores e outros tipos de pressentes, vendedores ambulantes trazendo o último buquê ou mesmo uma rosa que fosse… Todos assumindo o coração de poeta cortês do Gentileza, todos urgentes querendo arrumar um lugar para saudar o abraço apertado da SuperLua, que envolvia a cidade e todas as pessoas. E o Profeta Gentileza aqui na terra, no meio do povo ensinado como se faz para dizer uma frase de carinho ao próximo, como se faz para retribuir uma rosa, como se faz para abraçar o outro, quer seja conhecido ou não. “Assim… desarme-se de tudo que é defesa, trevas, vá suave no espírito, entregue-se de braços abertos. Vai, isso, você consegue, assim, diga comigo: Gentileza Gera Gentileza!”

Inveja, violência, intolerância, guerras foram exterminando-se de armas postas ao chão; incineradas pelo Abraço da Grande Lua e pelas frases de Gentileza. Braços levantados só para o abraço do outro. Sons de falas jurando uma vergonha na cara por um vácuo que há dentro do si de cada ser por anos tão violentos, mesquinhos disfarçados e escondidos em nós que impedem qualquer gesto afável, só mesmo a enorme Lua e Gentileza ensinando a velha-nova lei de sermos simples humanos; desarmados de qualquer herança brutal.

O dia amanheceu, muitos deitados ao abrigo dos pés do Cristo Redentor, outros espalhados pelas praias, sem nenhum molestar o outro. Quando acordaram, a SuperLua e o Profeta Gentileza estavam longe, certos de que cada um carregava agora um tanto de Gentileza dentro de si, livres de nossos modos de homens que temos, sempre e demasiadamente… assombrosos. Graças a Deus:

– Viva a SuperLua. Viva o Profeta Gentileza!!!

José Alaercio Zamuner