Cantare Estórias: Sinopse

Cantare Estórias: uma obra de pluralidade cultural


Sinopse
A obra Cantare Estórias foi lançada, em primeira edição, pelas Edições Inteligentes, dezembro de 2008 com apoio cultural da Secretaria de Cultura de Guarulhos, FUNCULTURA e, em segunda edição, maio de 2011, Plêiades, adotada pelo FDE: Fundação para o Desenvolvimento da Educação – Secretaria de Educação – Governo do Estado de São Paulo, Apoio ao Saber
A narrativa de Cantare Estórias apresenta, em sua base, a tradição de contar estórias, seja ela os clássicos ou os “causos” sertanejos. Isso se deve ao fato de o autor ser mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada – USP e, principalmente, filho de sertanejo.
As estórias aparecem enredadas em uma linguagem surpreendente: ora com expressões sertanejas, ora expressões do padrão culto, mas, incondicionalmente, numa linguagem melódica, lúdica, fazendo da língua uma ferramenta viva, poética, lembrando as comunidades iletradas, cuja expressão tinha de ser muito rítmica. Isso se sustenta na medida em que, ao longo da obra, o leitor lê (mas, para o autor, o verbo aqui seria “ouve”) na trama dos contos provérbios, quadrinhas, parlendas, modinhas, rimas rápidas, cantigas de roda, aboios.
Portanto, estes contos (estórias ou “causos”) apresentam dois lados bem definidos: motivo e linguagem, responsáveis por unirem culturas, tradições, gêneros literários, proporcionando uma inter-relação moderna nas relações disciplinares, já que Cantare Estórias resgata a tradição de apreender culturas por meio do contar estórias. Os exemplos estão em contos como a lenda da Mani-Oca; a lenda do índio Tambatajá, que narra o encontro do amor perfeito, esférico, lembrando a antiguidade grega; a metamorfose, “em pássaro”, de um menino castigado pelo pai; a lenda dos lagos, que traz no enredo o surgimento do lago através de um espelho Inca (Lenda Inca), depois, o lago se tornando espelho para o aprisionamento de Narciso (Lenda Grega), sem deixar de alertar para o radical da palavra Narciso: Narc, o mesmo de Narc-ótico. Outro ponto alto e lúdico está no conto “Nos Tempos em que Sol Morava na Terra” (recuperado de uma tradição oral africana), neste conto há, claramente, um trabalho lingüístico cuidadoso, uma marcação de espaços: terreno e espaço sideral, numa concepção tribal, primitiva de explicar as coisas e força do universo.
Vale conferir esta proposta narrativa, pois em Cantare Estórias nada está solto, porque o motivo maior vem da necessidade última de contar estórias, como nas Mil e uma Noites, chegando ao máximo de, no exemplo de “Cantare Encantado de Estórias”, o mundo “ficcional” de Cantare ser ameaçado pela aglutinação dos pólos, por falta de verso, conto, canto, oração e crença. O equilíbrio só se restabelece quando poetas, cantores, rezadores, num grande mutirão, limpam aquele mundo do vazio cultural, ao acreditar que só o canto salva, e que cada canto (lugar) tem seu próprio canto (fala, voz, melodia, crença…), como no provérbio que se ouve dos narradores deste conto:
cada terra tem seu uso, cada roca tem seu fuso
Desta forma, Cantare Estórias conjuga culturas, ensinamentos através da arte de narrar estórias, seja ela oral ou escrita, mas uma arte que muitas vezes caminha à margem dos modismos da nossa literatura.

13 Respostas

  1. Olá, Alaercio.
    Meus alunos querem ouvir suas estórias. Podemos marcar uma entrevista com você durante uma aula?
    Passo a eles uma das estórias de Cantare, você vem conta uma estória, pode ser a mesma. Assim fica uma prática de estórias e teoria, fundamental para sua atividade de autor e professor, Mestre em Teoria Literária.
    Abraços.

  2. Oi Alaercio, estou lendo seu livro “cantare estórias” muito bom estou gostando muito mesmo , nunca sou de ler de mais , mas , esse é o tipo de livro que eu tenho o prazer de ler !!

  3. Oi , bom eu estou já há algum tempo procurando sobre a sua história de como Surgiu os bichos na terra , queria saber um pouco sobre os personagens , caracteristicas psicologicas deles, e achei a história um pouco confusa , não consegui entender direito se Hérmia é namorada de dão-Sirvino , ou de Lisandro , achei bem complicado a forma deles falar tamben , mais a historia é bem legal !

    • Olá, como vai?
      Obrigado pela leitura dessa estória.
      Nessa estória há um triângulo amoroso. Mas nada muito sério. Sabe, é só um início de namoro. Primeiro da Hérmia com Dão-Servino. Mas a Hérmia evita ir à festa com ele, para ir sozinha. A intriga está quando a Hérmia chega na festa e fica com Lisandro. A confusão nasce daí, porque Dão Servino também vai à festa, chega mais tarde, e pega a Hérmia com sou novo ficante. É quando Dão, muito transtornado, transforma as pessoas em animais, enquanto ele próprio se transforma num boi chifrudo, configurando o primeiro chifrudo/corno da história. Tudo isso dentro de um plano dos mitos e lendas, como nos contos de fadas. Por isso que a festa se dá onde só tem mato e seres sobrenaturais como saci, fauno, sátiros (veja no Google estes dois últimos, ou veja o filme “No Labirinto do Fauno”). Também pode ver ou ler a peça “Sonho de uma noite de verão”, de William Shakespeare; aliás, as personagens Hérmia e Lisandro são dessa obra. Garanto que vai amar esses duas obras fantásticas.
      Veja, como se trata de uma estória fabulosa ou mitológica, impossível de acontecer na REALIDADE, a linguagem também é nebulosa, ajuda a acompanhar o enredo da estória.
      Quanto às características psicológicas, como é tudo uma brincadeira, as duas mais evidentes são: Dão-Servino que transparece meio BadBoy, e Hérmia, com atitude mais liberal ou moderna, por tentar dar um perdido no Dão-Servino para ir à festa sozinha e arrumar outra pessoa.
      Mas tem mais detalhes. Uma dica é: caso não identifique um termo, faça uma pesquisa, vai encontrar significado do próprio termo ou semelhança. Isso tudo faz parte da criação, caso contrário, ficaria uma linguagem jornalística.
      É isso. Mas uma vez, obrigado pela leitura, estou pronto para outras dúvidas.

      • eu vou ter uma provaa relacionada com o seu livroo entao eu adoreii o livro mas tava meio confuso e ficou muitoo criativo entao me ajudaa ai pq eu quase nem entendii

      • Olá, tudo bem?
        Pode mandar as dúvidas que estarei pronto para ajudá-la, com prazer.
        Abraços.

  4. olá tenhoo alguns livros em casa, mas nunca fui de ler mas duas semanas atras peguei dois livros: a garota que roubava livros, li em 3 dias e cantare estórias em 1 dia. adorei o livro. parabéns vc tem alguma outra obra sua? estou aguardando resposta. t +

    • Olá, Niel, como vai?
      Obrigado pela leitura. Muito feliz por ter gostado da obra.
      Tenho sim. Poemas, da obra Camaleão, esgotado, mas muitos poemas estão neste meu blog, no índice Versos Flamboyant, além de crônicas. Uma outra obra, de 1996 é Sertão Flamboyant, este livro pode ser encontrado.
      Há também alguns de seus contos neste blog. Todos você pode buscar na lista de CATEGORIAS. As crônicas são assinaturas que faço para jornais e revistas.
      Abraços, boa leitura e obrigado pela busca de meus livros.

  5. oi alaercio eu etou fazendo um trabalho com o seu livro mas o poema que eu escolhi ninguem entendeu nem eu eu queria que voce explicasse um pouco melhor para mim por favor assim que voce ver esta postagem ( gira mundo ). obrigado!

    • Olá, Kevin, como vai?
      É um prazer receber a leitura de meu livro.
      Este conto/poema traz um diálogo sobre o que é a vida.
      Os personagens, todos humildes roceiros, (Chã-chã, Quim e Sassá…) comparam a vida como um andar de bicicleta. Precisa pedalar, senão você cai. Mas surge um outro problema, quanto mais você pedala, as rodas da bicicleta se gastam, não é?. Daí, pedalando você também se gasta, isto é, cada ciclo, (das rodas) é como se fosse cada ano passa você vive. Assim, ao pedalar você irá se gastar mais.
      Neste jogo astronômico, que atinge a todos (aquilo que estudamos na escola, em Geografia, o movimento de translação), cada ciclo da terra no céu, ficamos mais velhos, e não tem como parar isso, proque há uma força aí: a vida é igual andar de bicicleta, não pode parar, (veja o dizer de Einstein.)
      Por conta dessa força invisível, mas potente, arrebatadora, os personagens do conto estão o tempo todo: um dizendo que precisa pedalar para se manter em movimento, outro avisando que se você pedalar você vai se acabar igual a bicicleta.
      Com isso, há uma confusão,um caos, como você pode perceber, não é? Mas, vendo que não há solução para o problema, o personagem Chã Chã pega a bicicleta e começa a pedalar, mesmo sabendo que irá se acabar, e diz “Isso que diverte a gente… se acabar nos confins dos grotões…”, grotões aqui é o mesmo que os buracos fundos… E, nesse buraco fundo, a terra esfria a gente. O personagem Chã fala isso todo hora.
      Bom, isso é um pouco do conteúdo. Há muitos vocábulos que aparecem para justificar esta máxima física:
      viver é igual a andar de bicicleta.
      Para um estudo mais profundo, busque no google os vocábulos, parlenda, doenças, remédios, etc, irá perceber melhor todo o jgo linguístico do conto.
      Estou pronto para outras dúvidas,
      Abraços.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: